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Da Bancada da USP à Clínica: Como uma Biotech Translacional Brasileira Constrói Terapias Regenerativas

há 39 minutos
5 min de leitura

O vale entre a descoberta e o tratamento

Todos os anos, milhares de resultados promissores em medicina regenerativa são publicados — novas fontes de células, fatores de crescimento, biomateriais e algoritmos que funcionam na placa de cultura ou em um animal. Pouquíssimos chegam a um paciente. A distância entre um achado acadêmico e um produto aprovado é conhecida como "vale da morte": o trecho em que um projeto precisa de fabricação em GMP, estratégia regulatória, propriedade intelectual, capital e infraestrutura clínica que um laboratório universitário não tem e que uma grande empresa não fornecerá até que o risco seja menor.

As biotechs translacionais existem para atravessar esse vale. A Spero Science Innovation foi fundada em 2021, em São Paulo, por cirurgiões-cientistas ortopedistas exatamente com esse propósito: transformar uma década de pesquisa em regeneração de cartilagem na Universidade de São Paulo em terapias, diagnósticos e tecnologias que cheguem à prática clínica.

Um ecossistema, não um laboratório

O que distingue a Spero é o ecossistema em que está inserida.

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) é uma das principais escolas médicas da América Latina, e seu Instituto de Ortopedia e Traumatologia no Hospital das Clínicas HC-FMUSP abriga a divisão de medicina esportiva em que os fundadores da Spero conduzem suas pesquisas e orientam alunos de pós-graduação no programa de ciências do sistema musculoesquelético. O HC-FMUSP está entre os maiores complexos hospitalares da América Latina, com um volume de pacientes que o torna um local natural para validação clínica.

O Hospital Sírio-Libanês, hospital privado com instituto de ensino e pesquisa reconhecido internacionalmente, é onde os fundadores atuam e onde a pesquisa em terapia celular e biomateriais é realizada em parceria com a USP — incluindo a fabricação em GMP de células estromais mesenquimais humanas para regeneração de cartilagem, que fundamenta a plataforma Smart Cells da Spero.

Em torno dessas instituições existe uma infraestrutura de inovação da qual a Spero se beneficia diretamente: o InovaHC, núcleo de inovação tecnológica do HC-FMUSP, em cujo comitê de inovação o CEO da Spero atua; o Eretz.bio, hub de biotecnologia do Hospital Israelita Albert Einstein; as agências de fomento FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial); o SENAI e o Sebrae, no apoio industrial e a startups; e parceiros de diagnóstico e indústria como Dasa, Mendelics e Genera. O braço educacional da Spero conduz o programa Scholars in Medical Innovation e coorganiza o Hackathon Saúde HCFMUSP, o que mantém a empresa conectada à próxima geração de clínicos-inovadores.

É essa rede que permite a uma empresa do porte da Spero conduzir estudos pré-clínicos em um modelo validado em animal de grande porte, fabricar células em GMP e desenhar ensaios clínicos com parceiros hospitalares — capacidades que uma startup isolada levaria anos para reunir.

A ciência veio primeiro

A Spero não começou com um plano de negócios; começou com resultados publicados.

Seus fundadores desenvolveram um modelo em animal de grande porte de defeitos de cartilagem de espessura total em miniporcos brasileiros (publicado em 2018 na Stem Cell Reviews and Reports) e depois o usaram para mostrar que construtos de engenharia de tecidos sem arcabouço, feitos de células estromais sinoviais e produzidos em GMP, melhoram significativamente o reparo da cartilagem ao longo de seis meses, por ressonância e histologia (Pharmaceutics, 2024). Lideraram uma revisão sistemática e metanálise de 25 ensaios randomizados sobre terapia com células estromais mesenquimais para osteoartrite do joelho (Journal of Orthopaedic Translation, 2024), que definiu onde está a evidência clínica e como devem ser os ensaios melhores. Foram coautores do algoritmo de tratamento para defeitos focais de cartilagem do joelho usado internacionalmente (Cartilage, 2021), editaram um tópico de pesquisa sobre engenharia de tecidos e terapia celular para restauração da cartilagem na Frontiers in Cell and Developmental Biology (2022) e contribuíram para a pesquisa em biomateriais com arcabouços à base de grafeno para regeneração óssea (Journal of Biomaterials Applications, 2023).

O CEO, Prof. Dr. Tiago Lazzaretti Fernandes, é Professor Livre-Docente da FMUSP, foi research fellow na Universidade Harvard e é membro da ISAKOS, ICRS, ISCT, AAOS, SBOT e SBCJ; entre seus prêmios estão o ISAKOS Research Mentoring Program, na Universidade de Osaka, e o AAOS Stetson Powell International Scholarship. Essa base acadêmica é o ativo que a Spero traduz em produtos.

O caminho regulatório: ANVISA e além

No Brasil, produtos à base de células e tecidos são regulados pela ANVISA como produtos de terapia avançada, com regras específicas de fabricação (GMP), evidência pré-clínica e ensaios clínicos; terapêuticos biológicos injetáveis e software como dispositivo médico seguem seus próprios marcos. As exigências da ANVISA estão amplamente alinhadas às do FDA e da EMA, e o Brasil participa de iniciativas internacionais de harmonização regulatória.

A Spero desenha cada programa para que um único pacote de evidências possa sustentar uma submissão à ANVISA e, depois, registros no exterior. Na prática, isso significa: fabricação de células em conformidade com GMP desde o primeiro dia; estudos pré-clínicos em um modelo que os reguladores reconhecem; desfechos estruturais quantitativos (ressonância, histologia) além dos escores de sintomas; e protocolos clínicos construídos com parceiros hospitalares capazes de recrutar em escala. A estratégia regulatória é um insumo do desenho, não uma reflexão tardia.

Por que o Brasil é uma base estratégica

Três características fazem de São Paulo uma base forte para a medicina regenerativa musculoesquelética. O volume clínico do HC-FMUSP e da rede hospitalar privada permite recrutamento eficiente para ensaios. A diversidade genética da população torna a evidência gerada aqui mais generalizável — e os modelos de IA treinados aqui menos enviesados — do que dados de coortes de ancestralidade única. E a estrutura de custos do desenvolvimento pré-clínico e clínico inicial é substancialmente menor do que nos Estados Unidos ou na Europa, sem abrir mão do GMP nem dos padrões éticos. Para parceiros internacionais, uma empresa translacional sediada em São Paulo oferece, ao mesmo tempo, uma rota para a evidência de primeiro uso em humanos e para o mercado latino-americano.

Seis plataformas, uma missão

A Spero organiza seu trabalho em seis plataformas: Spero Holding (governança corporativa e estratégia), Molécula Condroindutora (regeneração injetável de cartilagem para osteoartrite sem cirurgia), Smart Cells (terapia celular e engenharia de tecidos para cartilagem, osso e tendão), Spero Science AI (diagnóstico musculoesquelético multimodal), Spero OrthoTech (instrumentos cirúrgicos de precisão e engenharia médica) e Spero Education (educação em inovação em saúde). Todas compartilham uma única missão: traduzir pesquisa em prática para pacientes com doenças musculoesqueléticas.

Seja nosso parceiro

A Spero Science trabalha com investidores e fundos de venture capital, empresas farmacêuticas e de dispositivos médicos, hospitais e instituições de pesquisa em investimento de capital, codesenvolvimento, licenciamento, colaboração clínica e distribuição. Se a sua organização tem interesse em ortopedia regenerativa, terapia celular ou IA musculoesquelética no Brasil e na América Latina, entre em contato com a equipe da Spero Science ou conheça nossas plataformas e parceiros institucionais.

Referências

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  • Fernandes TL, Santanna JPC, de Faria RR, Pastore ER, Bueno DF, Hernandez AJ. Tissue Engineering Construct for Articular Cartilage Restoration with Stromal Cells from Synovium vs. Dental Pulp — A Pre-Clinical Study. Pharmaceutics. 2024;16(12):1558. https://doi.org/10.3390/pharmaceutics16121558

  • Tabet CG, Pacheco RL, Martimbianco ALC, Riera R, Hernandez AJ, Bueno DF, Fernandes TL. Advanced therapy with mesenchymal stromal cells for knee osteoarthritis: Systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. J Orthop Translat. 2024;48:176-189. https://doi.org/10.1016/j.jot.2024.07.012

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  • Fernandes TL, Bueno DF, Shimomura K, Shao Z, Gomoll AH. Editorial: Tissue Engineering and Cell Therapy for Cartilage Restoration. Front Cell Dev Biol. 2022;10:947588. https://doi.org/10.3389/fcell.2022.947588

  • Achôa GL, Mattos PA, Clements A, et al. (incl. Fernandes TL). A scoping review of graphene-based biomaterials for in vivo bone tissue engineering. J Biomater Appl. 2023;38(3):313-350. https://doi.org/10.1177/08853282231188805

 
 
 

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